Reality check

Habituei-me demasiado à ideia de estarmos sempre bem, de correr sempre tudo às mil maravilhas, e por uns tempos esqueci-me que eras um rapaz e, por mais que o idealizasse, haviam coisas que nunca iam mudar.
Esse foi o problema - pensar que te podia moldar - enganei-me redondamente. Pensei que podias ser o que eu queria, que me ias fazer feliz incondicionalmente, mas aparentemente vivia no surrealismo. 

Esqueci-me de que está na tua genética. Não te preocupas com estas coisas, e não vives tanto isto quanto eu. Idealizei uma relação em que tudo corresse bem, uma relação sem falhas, e foi esse o meu erro. 

Estou habituada a depender apenas de mim, a criar a minha própria felicidade, e depois apareceste tu. Tu apareceste e mudaste todas as minhas certezas, todas as minhas garantias. No entanto, contra todas as hipóteses, eu não me importei. Não me importei, porque no fundo, era disto que eu precisava. Eras um desafio, um desafio que eu não tinha planeado, um desafio que me ia fazer vacilar, mas um desafio que ia valer a pena.
Nunca deixei que a minha felicidade dependesse de alguém, mas a verdade é que dependeu, a verdade é que depende. A verdade é que deixei que dependesse tudo de ti, e não está correto. Habituei-me demasiado ao facto de seres o que eu tinha idealizado, habituei-me à facilidade com que me fazias feliz, e não liguei aos meios. Meios que se foram consequentemente enfraquecendo.
O problema é a tua inconstância. Passas do 8-80 e não estou habituada a isso. Não estou habituada a isso, e vacilo. Fico sem saber o que fazer, e vou ao limite. Sou a pessoa mais insegura do mundo, e brincas com isso. Brincas com isso, porque pensas que agitar as coisas é bonito. Pensas que não precisas de contar tudo, que não precisas de dar certezas de nada, mas estás errado. Nem tudo o que os teus amigos te dizem para fazer é o mais certo. Por vezes tens de pensar no outro lado. No que sentirias se estivesses no outro lado do cenário. Estás numa relação, precisas de refletir nos dois lados, e por vezes esqueces-te disso. As pessoas reparam, e é isso que mais me deita abaixo. 

Tenho a noção de todos os erros que cometo, mas cometo-os para perceberes na pele o que sinto. Para perceberes como isso me afeta. Tenho a noção de TODAS AS VEZES em que ficas triste com as minhas ações, mas é a única maneira de te fazer perceber. é a única maneira de entenderes o que senti, mas por vezes ainda fazes pior. 

Guardo muito para dentro, e sei que não é correto. Não é correto para ti, porque não te falo sobre os teus erros, as minhas preocupações, as coisas que devemos mudar, mas honestamente não tenho coragem. Não tenho coragem de te apontar falhas, porque és a melhor coisa que já me aconteceu, e não quero que mudes. Apesar de tudo, de todas as nossas falhas, temos a melhor relação de sempre e não quero que isto mude, porque tenho muito orgulho nisto, tenho muito orgulho em ti.